RESUMO

O&M

INTRODUÇÃO

A Teoria das organizações enfatiza hoje a abordagem aos problemas e estudos da organização de forma que os componentes comportamental, estratégico, estrutural e tecnológico tenham um tratamento de igual relevância, preponderando esse ou aquele componente, de acordo com as contingências internas ou ambientais. Tempos atrás, apenas à parte estrutural era dado valor. Hoje em dia, como é preciso privilegiar de forma equânime os quatro componentes acima, é exigida maior competência dos profissionais de O&M.

CAPÍTULO 1 - O&M E A EVOLUÇÃO DA TEORIA DAS ORGANIZAÇÕES

O pensamento administrativo é marcado pela evolução constante desde quando os primeiros estudos procuravam adaptar o ser humano à máquina, tornando-o apenas uma peça a mais.

Para alguns teóricos qualquer estudo tem de levar em consideração o fato de que as organizações diferem umas das outras. Estrutura, pessoal e funcionamento diferem mesmo que as organizações em estudo produzam o mesmo produto.

A Escola Clássica - Taylor, precursor da administração científica, é aquele que mais contribuiu para a formação da tecnologia de Organização e Métodos, principalmente a nível da instrumentação para fins de racionalização do trabalho (simplificação do trabalho e análise de estruturas).

Taylor elaborou e divulgou os 4 elementos essenciais da administração científica (base do taylorismo) :

Portanto, Taylor estava preocupado com o uso da metodologia. Cada um deveria saber exatamente o que fazer e deveria fazê-lo muito bem. Taylor é responsável pelo primeiros estudos relativos à necessidade de divisão do trabalho e descaracterização da subordinação a um só chefe.

Há muito da Escola Clássica nos objetivos tradicionais da funções de O&M, principalmente na metodologia de simplificação do trabalho. Contudo, a contribuição de Taylor a nível macroorganizacional não foi tão significativa.

Para Fayol, administrar é prever, organizar, comandar, coordenar e controlar (sendo dada maior ênfase com a organização e o comando). Os quatorze princípios de administração são uma convincente demonstração da sua preocupação com a organização :

Divisão do trabalho, autoridade, unidade de comando, unidade de direção, subordinação dos interesses particulares ao interesse geral, remuneração, centralização, hierarquia, ordem, equidade, estabilidade do pessoal, iniciativa e união do pessoal.

A Escola de Relações Humanas - Construíram uma pequena parte do seu arcabouço teórico em cima de críticas à Escola Clássica.

O homem era encarado como uma unidade isolada e sua experiência poderia ser influenciada por movimentos dispendiosos e ineficientes na execução do trabalho, fadiga e deficiências do ambiente físico. Houve um fracasso na tentativa de relacionar as condições físicas de trabalho com a produtividade.

Segundo Mary Parker Follet, o objetivo da ação administrativa é conseguir a integração das pessoas e a coordenação de suas atividades. Assim foram elaborados quatro princípios que são frequentemente citados nos compêndios que tratam da evolução da teoria das organizações:

    1. contato direto. As pessoas que trabalham perto, seja no sentido horizontal ou vertical, devem estreitar o contato para melhor coordenação;
    2. planejamento. As pessoas que exercitam um trabalho devem estar envolvidas nele desde o momento do planejamento e não quando este já terminou;
    3. relações recíprocas. Todos os elementos de um dado conjunto devem estar estreitamente relacionados; e
    4. processo contínuo da coordenação. Toda decisão é um momento de processo. Ela torna-se importante no contexto desse processo. Uma pessoa deve ser considerada importante à medida que intervém para tomar uma decisão dentro de um processo geral e não por que faz parte da hierarquia.

Fica evidente nos 4 princípios acima o compromisso de Follet como o componente humano na organização.

Ainda soma-se mais uma contribuição aos 4 princípios acima:

a "Lei da Situação", isto é, uma pessoa não deve dar ordens a outra, mas ambas devem concordar em receber ordens da situação. É o momento que vai alertar sobre a atitude a ser tomada. Isso altera o conceito de liderança.

O que a Escola de Relações Humanas buscou foi demonstrar aos estudiosos da época que o modo como os indivíduos se comportam não pode ser ignorado.

A contribuição de Douglas McGregor com a Teoria X e a Teoria Y dá a dimensão exata da Escola de Relações Humanas e da Clássica:

Teoria X (Escola Clássica)

Teoria Y (Escola de Relações Humanas)

O analista de O&M é bem mais orientado para a Teoria X. Isso talvez justifique o desejo de muitos gerentes e chefes de O&M se colocarem em nível mandatório e não em nível de assessoramento.

A Abordagem Estruturalista - Vem a ser a síntese da Escola Clássica, que defende a organização formal e o Movimento da Escola de Relações Humanas. Os fundamentos do estruturalismo estão localizados nas críticas feitas à Escola de Relações Humanas.

A crítica estruturalista não se limita apenas à constatação da existência de conflitos na organização:

O grande mérito dos estruturalistas é o equilíbrio que pretenderam dar aos estudos das organizações; nem pró-administração superior, nem pró-empregado, nem somente indústrias e algumas outras organizações de outros ramos que não o industrial, e sim as organizações de modo geral.

Em O&M a caracterização da função não poderia merecer o rótulo estruturalista. A literatura existente pouco reconhece no estruturalismo uma alternativa de ação. O que se tem é uma atenção cada vez mais incisiva para os postulados clássicos.

A Abordagem de Sistemas - (ambiente)

Algumas definições para Sistemas:

Os autores afirmam que estamos começando a mover-nos em direção à resolução do dilema da psicologia social... por intermédio da teoria dos sistemas abertos. O subsistema institucional - dos três subsistemas que compõem o sistema maior - é o responsável pelas transações da organização com o ambiente em que atua. A abordagem dos sistemas abertos dá ênfase à relação entre a estrutura (organização) e o meio que lhe dá suporte, pois sem entradas contínuas a estrutura termina por se deteriorar. E a forma de manter essa estrutura aberta é fortalecer a sua principal fonte motivadora: os seus recursos humanos.

As principais características dos sistemas abertos, segundo Katz e Kahn são:

O analista de organização praticamente desconhece os novos limites da análise organizacional agora impostos pelo novo enfoque teórico-metodológico. A entrada, transformação, saída e o feedback são características analíticas que necessitam estar presentes em qualquer processo de análise de razoável magnitude.

Um dos pontos importantes da perspectiva sistêmica da organização é a compreensão dos conceitos sobre papéis, normas e valores. Papéis descrevem formas específicas de comportamento associadas com dados e tarefas; normas são expectativas gerais de caráter reivindicativo para aqueles que desempenham papéis em um sistema. Valores são justificações e aspirações ideológicas mais gerais. Portanto, papéis, normas e valores compõem a filosofia do sistema e devem merecer o cuidado analítico do profissional. (Fernando C. Prestes Motta)

O sistema aberto precisa de constante e apurada informação do ambiente, não só quanto à natureza desse meio como também à qualidade e quantidade dos insumos disponíveis e, principalmente, quanto à eficácia ou adequação dos produtos ou respostas da organização ao ambiente (o feedback é indispensável à organização).

Num ambiente de pequenas mutações é possível imaginar um longo tempo de vida dessas organizações (as fechadas), mas vivendo em um ambiente de rápidas mudanças o desaparecimento é o caminho natural.

A verdade é que a simples utilização do termo sistema demonstra a vontade de estabelecer uma nova dimensão à prática administrativa. Demonstra o abandono à forma tradicional e, portanto, fechada de administrar a organização. Os problemas advindos da nova abordagem não são diferentes de qualquer organização vista sob qualquer óptica. Continua existindo: a necessidade de obter recursos humanos, materiais e financeiros e necessidade de adotar de maneira eficiente estes mesmos recursos e procurar alcançar e sustentar os mais altos níveis de produção de bens ou serviços, o que inclui o preço e a qualidade desses mesmos bens e serviços.

A Teoria da Contingência - A teoria da contingência vai bem mais longe do que a teoria de sistemas quando aborda a problemática do ambiente. Na teoria da Contingência as condições de ambiente é que causam transformações no interior das organizações.

Foi realizada uma pesquisa inicialmente imaginada com o sentido de aplicação da teoria de sistemas abertos a problemas de estruturas organizacionais e de prática administrativa. O resultado final do estudo encaminhou a problemática organizacional para dois aspectos básicos: diferenciação e integração.

A diferenciação parte da relação que cada subsistema da organização tem unicamente com o que lhe é relevante. Se os ambientes específicos diferirem quanto às demandas que fazem, aparecerão diferenciações na estrutura e na abordagem empregada pelas unidades ou subsistemas. Em outras palavras, do ambiente geral emergem ambientes específicos, cada um correspondendo a um ou mais subsistemas ou unidades da organização.

O conceito de integração é justamente o oposto do conceito anterior. Integração refere-se ao processo gerado por pressões vindas do ambiente global da organização no sentido de alcançar unidades de esforços e coordenação entre os vários órgãos ou subsistemas. Segundo ainda os pesquisadores, os principais meios de integração encontrados nas empresas estudadas são:

A função de O&M seria a de ter a capacidade de melhor adequar o trabalho da organização dentro das peculiaridades desta mesma organização. Esta adequação envolve desde as variáveis estruturais até a rotina do dia-a-dia. Isto seria uma revolução, pois a tecnologia de O&M, conforme a literatura conhecida, procura estabelecer meios e modos para a solução de problemas, considerando sempre uma mesma temática de problemas, através dos famosos check-lists ou dos questionários.